Arquivo para a categoria 'Textos Livres'

15
ago
11

Nós e os princípios editoriais das Organizações Globo

Por Tais Seibt

Ao ver William Bonner e Fátima Bernardes anunciarem no Jornal Nacional de sábado passado, 6 de agosto, a divulgação dos “princípios editoriais das Organizações Globo” tive duas reações. A primeira foi me perguntar “por que isso agora?”. A segunda, “e eu com isso?”.
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12
ago
11

Relatório pessoal da banca de qualificação

Por Franciele Zarpelon Corrêa

O momento da qualificação de uma pesquisa é sem dúvida único e especial, sobretudo, porque é a oportunidade que se tem de compartilhar um pouco de todo um trabalho que é desenvolvido e também, das angústias e alegrias que ocorrem dentro de um processo que constitui pesquisa científica/social e pesquisador(a). Isso quer dizer, como bem acentuou a professora Nísia que a pesquisa não nasce pronta, mas sim sofre muitas idas e vindas, e por assim ser, também se vincula com variadas transformações de concretização investigativa.

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07
ago
11

O plantão e o interesse (do) público

por Rafael Tourinho Raymundo
 
Uns domingos atrás, eu estava de plantão no portal de notícias em que trabalho. Já havia uma colega responsável pelas informações de trânsito e clima. Restou-me, então, garimpar conteúdo de agências internacionais.

Encontrei uma notícia que me pareceu interessante. Trabalhadores da maior mina de cobre do mundo – Escondida, no Chile – estavam em greve havia 10 dias, reivindicando melhores condições de trabalho. O assunto poderia até render uma boa suíte (resgate de notícias antigas) sobre incidentes em minas, algo infelizmente um tanto comum.

Perguntei ao editor responsável se a nota valia publicação e a resposta foi negativa. Ele poderia ter dado qualquer explicação para a recusa: “não é de interesse do nosso público”; “não há informações suficientes”; “somos um veículo da mídia corporativista burguesa e não nos cabe falar sobre greve de trabalhadores”. Todos esses motivos seriam falsos, aliás. Mas a razão apontada foi outra: “alguém morreu? Não? Então não nos serve”.

24
jul
11

Tempo, história, sociedade e juventude

por Graziela Bianchi

Uma das disciplinas que ministro na faculdade onde atualmente trabalho é Comunicação e Cultura Contemporânea. No espaço das aulas, a discussão sobre temas que possuem relevância na configuração atual das sociedades em que vivemos e também o resgate histórico sobre fatos e períodos vividos que nos fizeram chegar às atuais condições, nesses primeiros anos do século XXI.

Na trajetória de trabalhos desenvolvidos, percebo que, apesar das ricas discussões empreendidas durante os encontros, existe a dificuldade muito grande, por parte dos estudantes, em relacionar os processos sociais que vivemos hoje com épocas anteriores em nossa história, mesmo que, do ponto de vista histórico, sejam momentos bastante recentes.
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13
jul
11

Sobre o Intercom norte 2011 (e o panorama da pesquisa em Comunicação na região)

por Alex Damasceno

Quatro anos depois, voltei a participar do congresso Intercom norte. Meu retorno ao meio acadêmico da região foi marcado por sensações mistas: de um lado, o prazer do reencontro, de rever os antigos professores, de discutir os temas regionais; por outro, o estranhamento proporcionado por um olhar construído fora, e que ao retornar, inevitavelmente percebe sintomas antes encobertos. Continuar lendo ‘Sobre o Intercom norte 2011 (e o panorama da pesquisa em Comunicação na região)’

06
jul
11

Tirei distinção. E agora?

por Taís Seibt

O TCC é dramático para qualquer estudante universitário, seja de que curso for. Mesmo os mais descomprometidos passam o mínimo de trabalho para redigir a monografia final da graduação. Para bolsistas de iniciação científica, principalmente pelo compromisso “moral” de fazer um bom trabalho, a tarefa parece ainda mais árdua, embora a experiência facilite algumas coisas.

Acabo de defender meu TCC diante de uma banca de avaliadores altamente qualificados. Generosos, concederam-me a sonhada distinção e lançaram uma série de contribuições para a pesquisa. Mas, e agora?

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28
abr
11

Posição sobre a pesquisa no Brasil

Por Nísia Martins do Rosário

Apesar do texto que vou comentar já ter circulado midiaticamente em mais de um meio, entendo que ainda vale a pena retomar essa reflexão. Miguel Nicolelis, pesquisador brasileiro de destaque, deu uma entrevista ao Estadão que teve  muita repercussão e o título já diz muito sobre os motivos de sua grande circulação: “Einstein não seria pesquisador 1A do CNPq”. A entrevista, além de trazer um conjunto de informações relevantes sobre neurociência, faz uma crítica ao sistema de gestão da ciência no país.

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07
abr
11

Quando o mercado e a academia se encontram

“Mesmo sabendo que antes de sair da faculdade com o diploma na mão dificilmente vai conseguir escapar de uma monografia, a maioria dos calouros não planeja a carreira acadêmica. O que pesa na hora de escolher o curso para o qual vai prestar vestibular é o gosto pelo trabalho em si, seja de médico, advogado ou engenheiro”.

Quando escrevi o lide da matéria publicada no caderno Vestibular do jornal Zero Hora, em 23 de março de 2011, eu escrevia em primeira pessoa.

Eu, como a maioria dos calouros, não fazia idéia de que havia pesquisa em comunicação quando entrei na faculdade de Jornalismo. Está no imaginário: falou em pesquisa, tubos de ensaio e microscópios vêm logo à mente. Mas depois que descobri que nem só de jalecos brancos vive a ciência, até passei a questionar a carreira que tinha escolhido simplesmente porque gostava de escrever.

Dia desses, entre uma cuia e outra de chimarrão, colocando a pauta em dia, meu editor perguntou a quantas andava meu TCC. Sabendo que eu cumpria jornada dupla: de manhã, na Redação; à tarde, no PPG de Comunicação da Unisinos, ele concluiu que a experiência na pesquisa me ajudaria a monografar. E dali a conversa seguiu por rumos diversos até virar pauta para o jornal.

Nesta matéria, consegui fazer minha experiência na vida acadêmica se encontrar com minha atividade profissional, e vice-versa. Foi muito prazeroso promover esse encontro. O resultado está aí.

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08
mar
11

Oração de pai


Ele traduziu, na fala seguinte, em uma sentença lógica, o cotidiano de sua profissão – creio que também o da minha: “Durante a operação, eu precisava ser racional, mas agora é o lado humano que conta”.

Nesta minha vida de ‘projeto de jornalista’ cada dia é um aprendizado. Pode ser das coisas mais divertidas, tipo receita de cerveja artesanal, até as coisas mais burocráticas, como tipos de relação de trabalho. Mas são principalmente as tragédias que nos pautam no dia a dia.

Um desses dramas humanos caiu no meu colo hoje. A história de uma jovem quase tão jovem quanto eu, portanto com tantos projetos e incertezas quanto eu. Acompanhava o caso desde o início, intermediando a apuração da jornalista no Vale do Sinos com a publicação dos conteúdos no site. Hoje, na folga dela, coube a mim a tarefa de relatar o enterro de Cristiana Reis, 20 anos, vítima da enxurrada na Reserva Ecológica da Família Lima no dia 20 de fevereiro.

Tinha ficado especialmente comovida com um vídeo da tragédia, que me fez automaticamente lembrar de uma situação muito parecida que vivi anos atrás. Parecida, porém nem de longe tão trágica. Ao contrário de nós, que podíamos rir de tudo horas depois, os amigos e familiares de Cristiana enfrentaram quase uma semana de angústia, até que seu corpo fosse encontrado e pudessem ao menos cumprir o ritual de despedida dignamente.

Por meio de uma amiga em comum – sim, o mundo definitivamente é pequeno – cheguei ao professor de dança da jovem e também outras amigas. A assessoria de imprensa da faculdade facilitou o acesso aos colegas de curso. A titular da pauta tinha deixado de herança o telefone do tenente que comandou as buscas durante a semana.

Eu, que na noite imediatamente anterior tinha atendido uma ligação do meu pai, emocionado, em lágrimas porque tinha visto no jornal uma página inteira escrita por mim, assimilei na hora o peso da declaração daquele tenente: “agora não é o tenente que está em ação, mas o pai”. Foi então que ele me contou que tem uma filha de 18 anos e traduziu, na fala seguinte, em uma sentença lógica, o cotidiano de sua profissão – creio que também o da minha: “Durante a operação, eu precisava ser racional, mas agora é o lado humano que conta”.

Não acredito que uma pessoa possa ficar inerte ao sofrimento de outra. Nem depois de 50 anos de jornalismo. Espero sobreviver até lá para constatar se estou certa ou errada a esse respeito. Enquanto isso, espero que as orações do meu pai continuem sendo fortes o bastante para que eu siga capaz de aprender a cada dia com a vida. Esta #vidadejornalista pela qual optei e me faz realizada.

Links do post:

>> Amigos resgatam a tradição alemã de fazer cerveja em casa e reunir a turma
>> As diferentes relações de trabalho
>> Levantando acampamento (e tais&coisas)
>> Jovem morta em enxurrada no sítio da Família Lima é sepultada em Caxias do Sul
>> “Ela estava sempre sorrindo”, diz professor da jovem morta após enxurrada no Vale do Sinos

13
dez
10

Repensar a emancipação sociocomunicacional

Joel Felipe Guindani – Doutorando em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

Emancipação sócio-comunicacional é uma reflexão inspirada na noção de emancipação social desenvolvida pelo sociólogo Boaventura de Souza Santos. Já o aditivo “comunicacional”, deve-se ao fato de que é cada vez mais inconcebível pensarmos ações sociais amancipadoras distantes do espaço comunicacional, sobretudo do midiático-tecnológico.
O campo da sociabilidade, composto também pelo econômico, religioso, cultural, político etc., é cada vez mais atravessado pelos processos de midiatização e concebê-lo fora dessa problemática é praticar uma compreensão limitada sobre a realidade. Nessa direção, as novas tecnologias estão colocando em crise o pensamento estritamente midiático-monopolista, que articula toda a sua crítica e projeção político-militante sobre o viés da manipulação, da sujeição/passividade dos ouvintes, leitores ou telespectadores.

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