por Joel Felipe Guindani e Éderson Silva
O filósofo alemão Hans Gadamer sintetiza a experiência da comunicação à fusão de horizontes. A partir do horizonte do outro, ou seja, a partir da realidade do outro, acontece um encontro onde a comunicação gera a fusão de conhecimentos entre sujeitos que antes permaneciam distantes. Por exemplo, uma favela e um bairro de alta classe média por meio do jornalismo se encontram e se fundem, mesmo que pela lógica do medo, da tensão ou da repulsa. A tomada de conhecimento do outro possibilita a compreensão da realidade social, da aproximação ou do estranhamento, bem como das formas de poder e de intervenção sobre os fatos.
Na experiência comunicativa com o outro, multiplicam-se e ampliam-se os conhecimentos, pois toda a aproximação ocorrida entre sujeitos possibilita novos modos de pensar, de agir e de se relacionar.
Assim, a comunicação que aproxima o sujeito do outro, ou de alguma realidade até então distante, poderá elevá-lo a um outro nível de consciência ou para uma visão de mundo mais ampla e mais profunda. O autor Albert Camus ilustra bem esta situação com os personagens Jacques e Pierre:
“Apenas a escola dava a Jacques e a Pierre essa alegria. E, sem dúvida, aquilo que amavam tão apaixonadamente nela era o que não encontravam em suas casas, onde a pobreza e a ignorância tornavam a vida mais dura, mais morna, como que fechada em si mesma; a miséria é uma fortaleza sem ponte levadiça.”
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