Arquivo para Maio, 2009

23
Mai
09

Brasil sobre duas posições em ranking de produção científica e chega a 13º do mundo

JC e-mail 3755 – 06 de maio de 2009

Entre 2007 e 2008, a publicação de artigos em periódicos indexados subiu mais de 50% e permitiu que o país superasse Rússia e Holanda. Anúncio foi feito nesta terça-feira, 5 de maio, pelo ministro Fernando Haddad, na Reunião Magna da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

O ministro da Educação, Fernando Haddad, divulgou nesta terça-feira, durante sessão conjunta da ABC e da SBPC, os números da base de dados National Science Indicators (NSI), que registram o bom desempenho do Brasil no ranking mundial da produção de conhecimento.

O país apresentou, entre 2007 e 2008, o maior crescimento entre todos os países: passou de pouco mais de 19 mil para cerca de 30 mil artigos publicados em periódicos científicos indexados. Ultrapassou a Rússia e a Holanda e chegou a 13º melhor produtor de conhecimento do mundo, contribuindo com 2,12% dos artigos de 183 países. “É o maior crescimento da história do país, um feito notável da academia brasileira, que abre um novo horizonte”, disse o ministro.

Haddad atribuiu o resultado principalmente à atuação dos ministérios da C&T e Educação pela melhoria de todos os níveis de ensino, com medidas como a expansão das universidades, a recuperação do valor e aumento do número de bolsas concedidas pelo CNPq e pela Capes e a valorização dos profissionais do magistério.

O presidente da Capes, Jorge Guimarães, disse que esperava que o Brasil ultrapassasse a Rússia este ano, mas não a Holanda. Para ele, se o ritmo de crescimento de publicações for mantido, é possível que em 2010 o país ganhe mais uma posição no ranking. Para entrar no grupo dos 10 maiores produtores de conhecimento, o Brasil precisar superar Coréia do Sul, com cerca de 35 mil artigos, Austrália (36,7 mil) e Índia (38,7 mil).

Os EUA lideram a lista, com 340 mil artigos publicados, seguidos da China (112,8 mil), Alemanha (87 mil) e Japão (79 mil). Completam, junto com a Índia, o ranking dos 10 melhores Inglaterra (78 mil), França (64 mil), Canadá (53 mil), Itália (50 mil) e Espanha (41,9 mil).

Apesar de comemorar o resultado, Guimarães alerta que o país ainda não cresce da mesma forma em termos qualitativos – ou seja, conforme o número de citações do artigo em outras publicações. “Com relação à qualidade estamos entre os 30 maiores, mas precisamos avançar nesse componente”, avalia.

Ele ressalta ainda que é preciso enfrentar os problemas no ensino básico. “Na verdade, o avanço que fizemos na pós-graduação resulta da perversidade na educação básica, porque você pega os melhores. Temos 4.200 bolsistas no exterior e nenhum fracasso. Se a educação básica melhorar, nosso desempenho será muito maior”, reflete Guimarães.

O ministro Fernando Haddad disse que os feitos da pós-graduação precisam não apenas contribuir para a melhoria do ensino básico, mas também devem ser aplicados na produção com alto valor agregado. Segundo ele, a Lei de Incentivo à Pesquisa, regulamentada no ano passado, pode ser um mecanismo importante nesse sentido.

“Essa lei, que começa a sair do papel, tem o objetivo primordial de traduzir esse conhecimento em aumento da produtividade e do valor agregado de nossa produção, tanto para consumo próprio como para exportação”, observou Haddad.

O ministro informou que o investimento no primeiro ano de vigência plena da lei foi de R$ 20 milhões. “Nossa expectativa é chegar à cifra de R$ 150 milhões em renúncia fiscal para este fim específico”, disse Haddad, que participou da sessão ao lado dos presidentes da ABC, Jacob Palis, e da SBPC, Marco Antônio Raupp.

14
Mai
09

Inusitado aumento da produção científica

POR ROGERIO MENEGHINI

Não fazia eco em mentes perscrutadoras por dever de ofício a explicação de que o aumento se devia à política federal de fomento

Foi um choque para milhares de pesquisadores científicos brasileiros ler a reportagem da editoria Ciência desta Folha no dia 6 de maio. Ela relatava a divulgação do ministro da Educação, Fernando Haddad, de que a produção científica brasileira tinha crescido 56% de 2007 a 2008, segundo a mundialmente reconhecida base internacional de dados Thomson Reuters-ISI.
Um choque que não era propriamente de contentamento, mas de estupefação. Acostumados com a lida de números em suas pesquisas e familiarizados com o curso modesto dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil, era difícil encontrar uma explicação para o aumento inusitado em nível mundial em um ano, levando o país para a 13ª posição entre as nações na publicação de artigos científicos.
O portal de periódicos da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, órgão do Ministério da Educação) que permite o acesso ao ISI provavelmente teve um de seus maiores níveis de visitas, no anseio dos pesquisadores de constatar se o aumento era de fato o anunciado. E era.
Porém, a explicação do ministro e de algumas autoridades presentes ao evento da divulgação, de que o aumento se devia à política em nível federal de fomento à pesquisa, não fazia eco em mentes perscrutadoras por dever de ofício.
Muitas hipóteses foram levantadas, havendo até colegas que ironizavam ser um evento raro de desova de artigos científicos engavetados, como a desova de tartarugas marinhas. Por estar numa função que permite maior descortínio da produção científica, a explicação para o fato não me demorou. A base de dados Web of Science-ISI, utilizada nessa pesquisa, mostrou, sim, um aumento que o Brasil liderou: o de revistas científicas nacionais indexadas nessa base.
Em 2006, eram 26. Essa quantidade passou para 63 em 2007 e para 103 em 2008. Um aumento insólito, em contexto mundial: o número quadruplicou em dois anos! Qual seria a explicação para isso? A Thomson Reuters-ISI é uma empresa comercial, visando lucro, mas buscando manter a imagem de indexar o núcleo das melhores revistas científicas do mundo (10 mil entre 100 mil). Segundo a própria empresa, a sua política de seleção continua sendo a de medir o impacto por meio das citações dos artigos das revistas, mas iniciou um procedimento de espraiar o universo das revistas do ponto de vista regional e temático.
O Brasil certamente marcou ponto nos três itens. Com isso, o número de artigos em suas revistas aumentou de 4.056, em 2007, para 12.502, em 2008. Ou seja, um aumento de 8.446 artigos, devido ao aumento de revistas e também ao maior número de artigos por revista, uma vez que a indexação no ISI exerceu maior atração sobre os autores.
Isso significa que cerca de 80% do aumento de artigos anunciado pelo ministro Haddad advieram de um setor em que o governo federal investe de forma absolutamente inexpressiva: R$ 10 milhões em 2008, divididos entre o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e a Capes, para cerca de 240 revistas nacionais. Isso representa cerca de 0,4% dos orçamentos das duas instituições. Para comparação, os Estados Unidos gastam 200 vezes mais em revistas científicas.
A única iniciativa brasileira para melhorar as suas revistas, além da dedicação dos editores, é o programa SciELO (www.scielo.br), criado em 1997 por meio de uma parceria entre a Fapesp (Fundação de amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e a Bireme (Biblioteca Virtual em Saúde).
SciELO exerce no Brasil um papel semelhante ao do ISI, o de indexar as melhores revistas brasileiras, selecionadas por critérios de qualidade, mas vai além, pois disponibiliza os artigos com textos completos em acesso aberto. Hoje são 205 revistas.
É importante frisar que, das 103 revistas brasileiras indexadas no ISI mencionadas acima, 81 estão na base SciELO. O orçamento executado do programa para 2009 é de R$ 2,5 milhões, 80% provenientes da Fapesp (recursos do Estado de São Paulo) e 10% do CNPq (recursos federais). Tem-se assim a história real do aumento expressivo da produção científica brasileira em 2008 na base ISI.

04
Mai
09

Boal está vivo!

Por Luís Carlos Lopes – Carta Maior de 03-05-2009

Boal detestava a mediocridade, o servilismo e o silêncio dos que fingem que não vêem o que se passa. Era um homem direto e franco, sem jamais perder a ternura dos bons. Certamente, depois de morto, será ainda mais reconhecido, na nossa trágica tradição de valorizar mais os mortos do que os vivos.


Canalhas de todo o mundo não fiquem alegres. Boal está vivo! Vocês que torturaram o seu corpo, que infamaram seu trabalho, jamais venceram ou vencerão. Podem causar danos, adiar projetos, mas não conseguirão impedir que exista espaço para gente talentosa e com forte postura ética. Pobres de vocês, que jamais serão conhecidos pela honestidade e pela solidariedade com os demais membros da espécie humana.

É verdade que ele se foi, que não mais o veremos no plano físico, entretanto, ele jamais morrerá no coração de todos os oprimidos da face da Terra. Os seus 78 anos bem vividos foram suficientes para ele dizer a que veio e deixar um legado imortal de um brasileiro, carioca, suburbano, revolucionário e doce como goiabada.

Vocês que nunca o compreenderam e nem fizeram questão de melhor conhecê-lo, não sabem o que perderam. Pessoas como ele não existem em cada esquina. Simples, profundo e companheiro de todos que possuem o espírito livre e a consciência no lugar. Boal jamais foi arrogante como vocês. Nunca disse que sabia mais do que ninguém. Não precisava de marketing pessoal e nem de tietagem comercial.

Sua presença bastava e se impunha por si só, em tudo o que fazia no Brasil e no exterior. Deixou uma legião de admiradores e formou gerações de pessoas interessadas em contribuir para a construção de sociedades mais justas. Sua fama correu mundo, bem como o respeito pelo seu trabalho. Nada pedia pelo que fazia. Recebeu até poucas homenagens, considerando a grandeza de sua intervenção no mundo da vida.

Certamente, depois de morto, será ainda mais reconhecido, na nossa trágica tradição de valorizar mais os mortos do que os vivos. Não importa. Ele era o próprio teatro, e ele continuará a usar suas peças e, sobretudo, seu método e seus infindáveis ensinamentos. Estes retiravam material da alegria de estar vivo e de olhos abertos. É verdade, Boal detestava a mediocridade, o servilismo e o silêncio dos que fingem que não vêem o que se passa. Era um homem direto e franco, sem jamais perder a ternura dos bons.

04
Mai
09

Unicentro lança portal da Mídia Cidadã 2009

A Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), de Guarapuava (PR), colocou no ar o portal Mídia Cidadã 2009topo, com as informações iniciais acerca da 5ª Conferência Brasileira de Mídia Cidadã (Mídia Cidadã 2009), a ser realizada de 8 a 10 de outubro de 2009.

O evento, que deve reunir representantes de mais de 200 ONGs, institutos, empresas, fundações, instituições de ensino superior, dentre outros, é uma realização conjunta entre a Unicentro e a Cátedra Unesco/Metodista de Comunicação para o Desenvolvimento Regional, com patrocínio da Caixa Econômica Federal (CEF).

A programação inclui palestras, grupos de trabalho (GTs), atividades culturais, mostras de vídeos e a 2ª Feira Nacional de Mídia Cidadã. Situada a 250 km de Curitiba, Guarapuava está no centro geográfico do Estado e recebe a Mídia Cidadã 2009 depois de ter sua candidatura aprovada no ano passado, quando da 4ª Conferência, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O prazo para submissão de trabalhos será entre o final de junho e meados de agosto. Vídeos poderão ser remetidos até o início de setembro. Os papers mais significativos deverão ser incluídos em um livro a ser lançado durante o próprio congresso.

Outra inovação é que a sessão plenária, no encerramento da Conferência, deverá resultar na formação da Rede Nacional Pró-Mídia Cidadã (nome provisório).

Interessados em obter mais informações podem enviar e-mail para midiacidada2009@ unicentro. br ou telefonar para (42) 3621-1060 / 3621-1088, com os professores Ariane Carla Pereira, Layse Nascimento e Márcio Fernandes.

Sobre as Conferências Brasileiras de Mídia Cidadã 2009

As Conferências Nacionais de Mídia Cidadã são uma iniciativa da Cátedra Unesco/Umesp de Comunicação para o Desenvolvimento Regional que visam reunir pesquisadores, militantes dos movimentos sociais, estudantes de Comunicação, jornalistas, comunicadores comunitários e demais representantes da sociedade civil para dialogarem sobre o papel dos meios de comunicação – ação indispensável para a concretização de uma sociedade que supere a democracia representativa e construa as bases de uma democracia participativa.
Assim, as três primeiras edições foram realizadas na e pela própria Universidade Metodista nos anos de 2005, 2006 e 2007. Ano passado, a Conferência foi deslocada para o Recife, onde foi realizada na e pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Agora, dando continuidade ao processo de capilarização da iniciativa para todo o território nacional,  efetivando a própria missão institucional da Cátedra Unesco/Umesp que é disseminar a Comunicação voltada para o desenvolvimento regional, o evento vem para o Sul do Brasil, especificamente para Guarapuava (PR), na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) onde será realizada, entre os dias 8 e 10 de outubro, a V Conferência.
O objetivo central do Mídia Cidadã 2009 é promover o diálogo entre as pesquisas acadêmicas produzidas no campo da Comunicação Social e as experiências de produção de mídia da sociedade civil, mercado e Estado. São aguardados representantes de aproximadamente 200 ONGs, movimentos sociais, empresas e universidades, configurando um público extremamente qualificado de pelo menos 15 Estados do País.